Quinta-feira, Novembro 12, 2009

La Lámpara Marina - El Mar y Los jazmines

Pablo Neruda
IV


El Mar Y Los Jazmines


De tu mano pequeña en otra hora
salieron criaturas
desgranadas
en el asombro de la geografia.

Así volvió Camoens
a dejarte una rama de jazmines
que siguió floreciendo.

La inteligencia ardió como una viña
de transparentes uvas
en tu raza.

Guerra Junqueiro entre las olas
dejó caer su trueno
de libertad bravía
que transportó el océano en su canto,
y otros multiplicaron
tu esplendor de rosales y racimos
como si de tu territorio estrecho
salieran grandes manos
derramando semillas
para toda la tierra.

Sin embargo,
el tiempo te ha enterrado.

El polvo clerical
acumulado en Coimbra
cayó en tu rostro
de naranja oceánica
y cubrió el esplendor de tu cintura.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

11 de Novembro

Dia de S. Martinho (É pelo São Martinho que um homem descobre como em-velho-sou) .
Dia da Independência de Angola, em 1975 (unilateral, depois de Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Princípe, Cabo Verde... uma história para contar!)

De José Luandino Vieira: «Cantarei 0 herói, o que sempre exemplificou seu povo, vida e morte e luta, o dos cinco combatentes. Mas quero depois esquecer tudo, não vou de reinventar a verdade. Tem documentos, papéis passados e guardados, recebidos nas mãos de um jornalista, um mulato oxigenado no sotaque português, na estrada que de Benguela sobe na Serra de Xicuma, naqueles dias ímpios de 75, quando a nossa pátria, acantonada num quintal, era só de bandeira e hino.»

La Lámpara marina - los presidios

La Lámpara marina

Pablo Neruda



III

Los Presídios

Pero,
portugués de la calle,
entre nosotros,
nadie nos escucha,
sabes
dónde
está Álvaro Cunhal?

Reconoces la ausencia
del valiente Militão?

Muchacha portuguesa,
pasas como bailando
por las calles
rosadas de Lisboa,
pero,
sabes dónde cayó Bento Gonçalves,
el portugués más puro,
el honor de tu mar e de tu arena?

Sabes
que existe
una isla,
la isla de la Sal,
y Tarrafal* en ella
vierte sombra?

Sí, lo sabes, muchacha,
muchacho, sí, lo sabes.

En silencio
la palabra
anda con lentitud pero recorre
no sólo el Portugal, sino la tierra.

Sí, sabemos,
en remotos países,
que hace treinta años
una lápida
espesa como tumba o como túnica
de clerical murciélago,
ahoga, Portugal, tu triste trino,
salpica tu dulzura
con gotas de martirio
y mantiene sus cúpulas de sombra.
______________________________
* - Este Tarrafal, o Tarrafal do campo de concentração, era na ilha de Santiago (SR)

Há que mudar de política. Não de pátria!

No meio de outras tarefas, tenho deixado atrasado o acompanhar da conjuntura. Estou embrenhado no estudo funcionamento da economia capitalista, ando metido em "pingues-pongues" locais de que não gosto nem quero.., mas tem de ser! (há quem ache que não, que não teria de ser...), e passaram uns dias (poucos) sem a leitura que actualiza o estado do Estado em que estamos, para além de rápidas olhadelas. E se houve coisas que vieram a lume.. para além da espuma (cada vez mais suja!) dos dias!
As previsões de Bruxelas chegaram na semana que passou. e são mais que preocupantes. Sobretudo em relação ao futuro, se tudo continuar na mesma. E há carecas com os cabelos em pé. A página de Nicolau Santos no Expresso é... dantesca, como ele titula o que vem aí.
Há duas breves notas que quero deixar, apesar do atraso e de ser necessário bem mais que breves notas.

1. Repudio o eco que, neste quadro, se faz ao apelo para que se verifique "grande moderação salarial" (em que abundam, por excesso de protagonismo, Vitor Constâncio e Silva Lopes) e, concomitantemente, à continuidade do menosprezo (melhor se dirá desprezo) pelo mercado interno, pelas PME, pela actividade produtiva, pela vida das gentes, em suma, e a insistência no mercado externo, na capacidade concorrencial baseada na vantagem comparativa dos baixos custo do "factor trabalho" (acabo de ler, na página 498 do tomo V de O Capital: “(...) o comércio externo podia remediar (…) mas o comércio externo (…) traslada apenas as contradições para [uma] esfera mais extensa, abre-lhes um círculo de jogo maior.”

2. Já me vi acusado de catastrofista, de estar sempre a ver o lado negro ds coisas, de estar permanentemenete "no contra", de não querer colaborar - quando não me canso de afirmar a maior disponibilidade... desde que respeitado o que penso. Não me revejo minimamente nessas acusações, apesar da permanente auto-crítica, e choca-me ver transcritos poemas como o de Jorge de Sena, a ilustrar uma página de economia em que se faz um diagnóstico mais que reservado e se vai buscar receituário velho e revelho do FMI. Somos e temos a pátria que formos capazes de merecer .

Terça-feira, Novembro 10, 2009

La Lámpara marina - La Cítara Olvidada

La Lámpara marina

Pablo Neruda
II

La Cítara Olvidada

Oh Portugal hermoso
cesta de fruta y flores,
emerges
en la orilla plateada del océano,
en la espuma de Europa,
con la cítara de oro
que te dejó Camoens,
cantando con dulzura,
esparciendo en las bocas del Atlántico
tu tempestuoso olor de vinerías,
de azahares marinos,
tu luminosa luna entrecortada
por nubes y tormentas.

Hoje, 10 de Novembro...

... nasceu, em 1913, Álvaro Cunhal.

... é o dia do 30º aniversário da Juventude Comunista Portuguesa
(fonte: minha agenda da JCP)

Ontem, 9 de Novembro...

... foi Dia Contra o Racismo (diz a minha agenda, da JCP)

La Lámpara Marina - El Puerto Color de cielo

Apenas tinha a intenção de deixar aquela parte V do poema de Pablo Neruda, La Lámpara Marina. Porque me apeteceu...
E, agora, porque me apetece, vou deixar o resto, mensagem a mensagem. Porque me apetece... e pela receptividade que teve. Apesar de estar acessível nos "aparelhos de busca", e ilustrado com desenhos de Álvaro Cunhal.

La Lámpara Marina
Pablo Neruda
I
El Puerto Color de cielo

Cuando tú desembarcas en Lisboa,
cielo celeste y rosa rosa,
estuco blanco y oro,
pétalos de ladrillo,
las casas,
las puertas,
los techos,
las ventanas,
salpicadas del oro limonero,
del azul ultramar de los navíos.

Cuando tú desembarcas
no conoces,
no sabes que detrás de las ventanas
escuchan,
rondan
carceleros de luto,
retóricos, correctos,
arreando presos a las islas,
condenando al silencio,
pululando
como escuadras de sombras
bajo ventanas verdes,
entre montes azules,
la policía
bajo las otoñales cornucopias
buscando portugueses,
rascando el suelo,
destinando los hombres a la sombra.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Isto é abusar do gentio

Se num país com regime etiquetado de comunista, se levanta um muro, não importa saber porquê, que antecedentes houve: é um crime, há que o derrubar... e a culpa é do comunismo. Depois há que aproveitar a efeméride para festejar a queda do muro, perdão do dito comunismo, até porque teima em não cair e até parece que tem toda a razão no que estudou do capitalismo,
Se num outro país qualquer, isto é, não comunista, se levantam muros, eles lá terão as suas razões e, se houver que anatematizar o levantamento dos muros, lamenta-se, toleram-se e assacam-se as culpas aos turcos (ou aos gregos, ou aos cipriotas), aos israelitas (ou aos palestinianos que os obrigaram a isso), aos mexicanos que queriam entrar à “má fila” nos Estados Unidos (a estes, nunca!), aos flavelados do Brasil (e flagelados), aos irlandeses (ora dos católicos, ora dos protestantes, consoante), aos marroquinos (ou aos saharouis), aos africanos (são mais que muitos... os muros, porque africanos vão rareando), aos sunitas, aos talibãs (os muros à volta dos edifícios em Cabul), aos coreanos (mais aos do sul que o terão construido que aos do norte, veja-se lá… porque se tivesse sido ao contrário não faltaria!), nunca a culpa é do… sistema.
Ora vão para o raio que os parta!

Estou farto de muros, e de um em especial. Vou ficar 20 anos sem falar de muros, tal a dose.

Assembleia da Paz

XXI ASSEMBLEIA DA PAZ
CASA DO ALENTEJO - LISBOA

14 DE NOVEMBRO DE 2009

“Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar”

Nada é impossível de mudar,
BERTOLD BRECHT

História e histórias...

Num dia de acordar maldispostos, os dirigentes de um País chamado República Democrática Alemã teriam resolvido levantar um muro a dividir uma cidade em duas.
Ao que se apregoa aos quatro ventos das histórias que se contam, fizeram-no porque, sendo todos muito maus, comunistas para tudo dizer, sob a mais que terrível influência (influência? domínio!) da União Soviética, não suportavam que os habitantes da cidade que controlavam ferreamente (mas mal, ao que se constata) estivessem a fugir para o outro lado da cidade, gerida com saber e arte por uma administração tripartida, os três “anjos do bem” – Estados Unidos, França e Inglaterra –, onde tinha montado uma vasta e poderosissima rede de “informação” e aliciamento a transmitir para “leste” para convencer os “infelizes” que aquilo era horrível e que do lado “ocidental” é que era bom. Com jeans, meias de vidro, pensos higiénicos e essas coisas todas, e muitas outras que escasseavam do “outro lado”, onde se estaria demasiado preocupado e ocupado em conseguir emprego, educação, saúde, cultura para todos, e a tentar – umas vezes canhestramente, outras mal… com vícios “ocidentais” – encontrar formas de alcançar esses objectivos.
Então, esses façanhudos dirigentes teriam resolvido levantar o tal muro. Em 1961. Mas dessa construção, onde e porquê não se fala. Apenas se fala, e de que maneira, do seu derrube!
Algumas perguntas viriam a propósito, mas ninguém as faz porque as histórias contadas não convidas a que sequer surjam nas mentes mais curiosas.
• Os dois Estados tinham resultado de quê e porquê?
• Não nasceram dos escombros de uma guerra em que, destruído o Estado seu fautor, foi ele dividido pelos “aliados” vencedores para que os novos Estados se reconstruíssem, em Paz, sob administrações e tutelas diferentes?
• Não foi um dos “aliados” do “ocidente” que, já com a vitória certa, e depois de destruírem o que puderam mais para “leste” europeu, no extremo leste asiático experimentaram umas bombitas atómicas, talvez o maior crime da Humanidade?
• Não houve, logo em 1949, o aparecimento de uma organização chamada OTAN, com mal-escondidos propósitos belicistas?
• Não foi só 5 anos depois que os “países de leste” responderam, não com uma organização mas com um pacto defensivo chamado de Varsóvia?
• A cidade de Berlim, antiga capital do Estado destruído e extinto, onde se localizava?
• Estava no novo Estado em construção (RFA) sob “tutela” franco-anglo-estadounidense, ou no meio do novo Estado em construção (RDA) sob “domínio” soviético?
• Não foi acordado que, dada a importância da anterior capital, ela ficaria dividida, transitoriamente, em dois sectores, um de “gestão” anglo-estadounidense-francês, e outro de “gestão” soviética, ainda que já território da RDA?
• Não foram permanentemente violados, do lado “ocidental”, os compromissos tomados relativamente à transitoriedade da situação, enquanto os "soviéticos" promoveram a integração do sector "oriental" da cidade na "Alemanha Oriental" (então RDA), a que, geográgicamente, Berlim pertencia e pertence?
Amenize-se o questionário com uma imagem: Beja, antiga capital e cidade emblemática do Baixo-Alentejo, partida em dois sectores, um de “gestão” tripartida a partir de Aveiro, Faro e Funchal, com relações particulares com o Alto Alentejo, um outro sector parte do Baixo Alentejo, embora com estatuto de apoio a partir da península de Setúbal.
Suponhamos, agora, que, a partir do “sector” aveirense-farense-funchalense, se começava a fazer propaganda insistente (e raro verdadeira) das maravilhas dos ovos moles, do quente mar algarvio e seus/suas visitantes, das ponchas e espetadas, desfazendo no ensopado de borrego e deturpando totalmente o assassinato de Catarina e a história da reforma agrária… “venham para este lado que aqui é o paraíso, aí é o inferno!”. Os bejenses e o Baixo-Alentejo e a península de Setúbal não iam fazer nada?
.
Por aqui me fico. Por agora.
Quer isto dizer que a construção de um muro foi boa solução? Vê-se que não! Como em tantos outros lados – são tantos!, querem a lista de onde eles estão? –, acho que não o seja.
Mas é preciso conhecer a História e não aceitar as histórias que nos contam.
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O universal é o local menos os muros


Miguel Torga



Hoje, às 07.16, na TSF

Sondagem revela descontentamento na Alemanha do Leste
Hoje às 07:16

"No dia em que se comemoram os 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim, uma sondagem conclui que os alemães de Leste consideram que a reunificação não foi consumada e que a esmagadora maioria sentia-se bem na antiga Alemanha Democrática."
.
(Ele há cada sondagem!)
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#O estudo indica que 50 por cento dos cidadãos da antiga Alemanha Democrática lamentam diferenças reais do nível de vida, lembrando que no Leste o desemprego é maior, os salários são mais baixos e o PIB é de apenas de um terço do registado no lado ocidental do país."
"Doze por cento dos inquiridos recordam com saudade os tempos da RDA e outros tantos defendem mesmo que o muro devia ser reconstruído."

"Somente um quinto dos alemães de Leste considera que a reunificação vai no bom sentido e muitos outros dizem que os irmãos do ocidente os tratam com arrogância."
.
(Mas, no meio de tanta euforia artificial, contrariada por sondagens como esta - para esquecer! -, não há quem, em vez de falar da queda do muro, lembre porquê e como ele foi construido, numa cidade ocupada por "aliados" que não cumpriam compromissos e continuavam a guerra, embora servindo-a fria?)

Domingo, Novembro 08, 2009

O Capital - pausa para respirar... ou respigar

"O capitalista - e ainda mais o seu tradutor teórico, o economista político -, porém, só dificilmente pode desistir da imaginação de que o dinheiro pago ao operário continua a ser dinheiro do capitalista."
(pág. 477, Tomo V, edições avante!, tradução de José Barata Moura)
.
E até parece fácil quando se entra no âmago do funcionamento do capitalismo, tal como Marx o dissecou (falar em autópsia foi, é e ainda é muito prematuro).
O capitalista troca capital-dinheiro por capital-mercadoria (força de trabalho), o trabalhador recebe dinheiro, que deixa de ser capital variável ao ser trocado por horas de utilização da força de trabalho, e é essa mercadoria-dinheiro, e não o capital variável que o capitalista já trocou pela mercadoria (força de trabalho), que o trabalhador vai trocar pelas mercadorias que lhe vão satisfazer necessidades.
Assim, o trabalhador passa de vendedor (de força de trabalho) a comprador (de mercadorias que produziu e/ou distribuiu). Comprador, com o seu dinheiro, produto da sua venda. Dinheiro que, desta (e nesta) forma, devolve ao capitalista, proprietário das mercadorias por o ser dos meios de produção e de distribuição. Dinheiro que, depois, o capitalista pode metamorfosear, enquanto capital sob essa forma (D), em capital sob a forma de mercadoria (M), constante se para trocar por meios de produção (M), variável se para trocar por força de trabalho (FT), também mercadoria.

Com dedicatória!

A um visitante que por aqui gosta de encontrar poesia:


(...)
La Lámpara Marina

Portugal,
vuelve al mar, a tus navíos,
Portugal, vuelve al hombre, al marinero,
vuelve a la tierra tuya, a tu fragancia,
a tu razón libre en el viento,
de nuevo
a la luz matutina
del clavel y la espuma.

Muéstranos tu tesoro,
tus hombres, tus mujeres.
No escondas más tu rostro
de embarcación valiente
puesta en las avanzadas de Océano.

Portugal, navegante,
descubridor de islas,
inventor de pimientas,
descubre el nuevo hombre,
las islas asombradas,
descubre el archipélago en el tiempo.

La súbita
aparición
del pan
sobre la mesa,
la aurora,
tú, descúbrela,
descubridor de auroras.

Cómo es esto?

Cómo puedes negarte
al ciclo de la luz tú que mostraste
caminos a los ciegos?

Tú, dulce y férreo y viejo,
angosto y ancho padre
del horizonte, cómo
puedes cerrar la puerta
a los nuevos racimos
y al viento con estrellas del Oriente?


Proa de Europa, busca
en la corriente
las olas ancestrales,
la marítima barba
de Camoens.

Rompe
las telaranãs
que cubren tu fragrante arboladura,
y entonces
a nosotros los hijos de tus hijos,

aquellos para quienes
descubriste la arena
hasta entonces oscura
de la geografía deslumbrante,
muéstranos que tú puedes
atravesar de nuevo
el nuevo mar oscuro
y descubrir al hombre que ha nacido
en las islas más grandes de la tierra.

Navega, Portugal, la hora
llégó, levanta
tu estatura de proa
y entre las islas y los hombres vuelve
a ser camino.

En esta edad agrega
tu luz, vuelve a ser lámpara:
aprenderás de nuevo a ser estrella.


(parte V de um poema de Pablo Neruda)

Revolução de Outubro

Para contrariar o que "é natural" no presente em que estamos... leia-se aqui.
Com toda a naturalidade, porque queremos o futuro!
E que seja outro o presente.

Sábado, Novembro 07, 2009

Frases à toa (nem todas tontas, ou de tontos)

Tiradas dos destaques - opinião, do Expresso de hoje:
.
"No fundo, a corrupção é a outra face do socialismo e da social-democracia."
- Henrique Raposo
(e não é "gralha"!)
.
"O que vem aí. Os cenários para 2010 e 2011 deixam-nos os cabelos em pé. Dívida pública e défice com valores brutais."
- Nicolau Santos
(e NS não é careca... nem está com receio de desemprego)
.
"O exemplo de Vara peca por tardio. O apego ao tacho não reforça a presunção de inocência."
- Fernando Madrinha
(mas não foi muito elogiado pelo exemplo que deu de dignidade?!)

Reflexões lentas e curtas - 7 - O XIII Congresso - a lição que mais retive - b. Uma das causas. Partido/Poder

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez

.....b. Uma das causas – Partido/Poder.

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Este é o último episódio desta série. Tendo ela sido programada, como o mostra o sumário acima, não o foi ao ponto de pensar que iria cair nesta altura, mais: neste dia 7 de Novembro. Que pontaria!
No congresso (extraordinário) de 1990, em que estive presente, um pouco em estado de choque mas muito atento e lúcido, retive a referência a uma das causas de degenerescência da situação no País pátria do socialismo como tendo sido a confusão, a partir de certa altura, entre Partido e Estado.
Sendo as causas do descalabro que estávamos a viver de origem externa e de origem interna, sendo as primeiras as da luta de classes no plano planetário, e as segundas as do modo como se concretizava, internamente, a construção de uma sociedade socialista a caminho do comunismo, entre estas avultava a de se ter amalgamado Partido e Poder. O Partido fora deixando de ser a vanguarda de uma classe no Poder, capaz de tomar consciência da evolução da sociedade e de a procurar reflectir mobilizando e organizando, de ser a ligação ao Povo e seu devir, para se confundir na prática da governação e da competição internacional, tarefa do Estado.
O Partido não é a sociedade, o Estado é a sociedade/nação politicamente organizada. O papel do Partido não pode ser o de se substituir ao Estado. Se o faz, mal vão as coisas, ou irão…
Retive essa ideia-causa. Marcou-me. Decerto mal a exprimo. Mas irei melhorando… Até pelos exemplos com que por aqui – e hoje – convivo, embora numa organização da sociedade em que tais vícios estão nos seus genes, enquanto no socialismo eram doença, talvez por contágio e imitação como se podem caracterizar as últimas décadas do “socialismo real” na Europa, em que Partido terá “esquecido” as suas tarefas de organização e consciencialização, assoberbado pelas que eram do Estado, sobre as quais, distanciado, deveria exercer vigilância revolucionária, para que o Estado não perdesse a sua natureza (e expressão) de classe.
.
Exemplificando num outro plano, em Estado com outra classe no Poder, hoje o governo Sócrates apresenta, como programa do governo, o programa do PS, tal como o apresentou enquanto programa de campanha eleitoral; o executivo eleito para a Câmara de Ourém mostra querer que o PS seja o Poder (local) como o foi o PSD, tentando ignorar que a sociedade vai muito para além do partido que ganhou eleições, e mostrando só admitir absorver o que considera “franjas”, integrando-as na sua “gestão dos negócios públicos” e nas suas reflexões estratégicas, negando-lhes autonomia e independência numa sociedade complexa e compósita*.
Assim, aqui regresso, sem de aqui ter saído.

_________________________________________

* - dicionário: adj. 2 gén. diz-se de uma ordem arqutectónica em que entram elementos das ordens jónia e coríntia.

7 de Novembro de 1917

Aqui lembrado.

Como no ano passado.

Como há dois anos.

Como há três anos.

Como sempre. Desde há 92 anos.

Como no futuro. Para o futuro!

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

O verniz técnico que tapa a unha suja da exploração

Entre os vários "blogs" em que vou (a)postando, este é o de charneira. Por isso, algumas coisas que noutros saem, porque a eles serão adequados, talvez faltem aqui. Dada a sua importância relativa (para mim, claro...).
Como este, sobre afirmações rádio e televisivas, em que meus colegas de profissão têm abundado, numa perspectiva que, com toda a frontalidade, tem o meu completo desacordo.
Vitor Constâncio e Silva Lopes, nessa "qualidade", têm aparecido como "pontas de lança" de verniz técnico a tapar a unha suja que Van Zellers & Cia. não se cansam de mostrar na tentativa de justificar um "modelo" económico desvalorizador do mercado interno, voltado para as exportações e, por isso, justificando o ataque aos salários (e aos trabalhadores que dele vivem) prosseguindo a estratégia baseada na vantagem comparativa dos custos do trabalho com roupagens linguísticas de produtividade e competitividade.
Assim sendo, refiro o "post" do sempre acutilante samuel-cantigueiro, que se pode ler aqui, e transcrevo parte do "post" que coloquei - e por razões locais - em PorOurem, com o título "Ah é? A bem da economia portuguesa os trabalhadores não devem aumentar os salários? :
.
(...) à pergunta do título, segue-se uma outra: e os bancos e os grupos transnacionais que por cá andam ou passam - de passagem - devem aumentar os lucros... a bem da economia portuguesa?... como aliás vêm fazendo sempre... para mal da economia dos portugueses!
O colega e conterrâneo Silva Lopes é pessoa que, ao longo da vida, me tem merecido toda a simpatia, mas está a descarrilar. Na minha opinião, como é óbvio.
Para não entrar em tipo de campanhas que rejeito, poupei-o a transcrever, recentemente, comentários que a seu respeito me chegaram, sobre a sua escolha para administrador de uma empresa pública (ou para-pública), aos 77 anos, com decerto chorudo salário para somar às suas diversas e avultadas reformas, mas - agora! - pergunto se não é provocatório dizer o que diz quando desfruta dos réditos mensais que lhe entram em casa todos os meses?
Quererá ele viver aí um anito com o salário mínimo... para benefício da economia portuguesa, por via da exportação das energias renováveis que lhe pagam um saláriozito mais para arredondar o orçamento?
Haja decoro!

Pinça mentes

Pinça mente "devolvido" (e ligeiramente alterado) de docordel.blospot.com.:
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A Paz é necessária não para. É necessária não para que haja mais escolas, mais hospitais, melhor educação, melhor saúde. E mais e melhor muitas outras coisas que são necessidades em si.
A Paz é necessária. Ponto final. Como necessidade
em si. Porque, sem ela, a Humanidade corre perigo. De sobrevivência.
.
anónimo do século xxi